Festival Y#13 – festival de artes performativas | Programa

cartaz Y#13O Festival Y, nas edições anteriores, mapeou uma grande parte da criação contemporânea portuguesa e também estrangeira. Com a 13ª edição queremos consolidar a mostra de criadores portugueses, numa programação que apresenta pela primeira vez a maioria dessas estruturas e performers nas cidades da Covilhã e de Castelo Branco. Sinalizamos neste Festival alguns dos mais importantes espetáculos contemporâneos estreados nos últimos tempos em Portugal. Numa programação que procuramos que seja equilibrada nas várias disciplinas artísticas, não esquecemos a mediação através de ações artístico-pedagógicas dirigidas a diferentes segmentos de público. Queremos em cada Festival construir um lugar em que a cultura seja cada vez mais a ponte de convergência na diversidade de cada espetáculo, tal como a própria letra Y que parte de um ponto e se dilui em várias estéticas.

Rui Sena, diretor artístico

Programa Festival Y#13 – festival de artes performativas:

23.novembro.2017 [5ª feira] > 21h30 | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
Noiserv

noiserv

Três anos depois da edição do último longa duração, noiserv regressa com disco novo. 00:00:00:00 é o nome do sucessor de “Almost Visible Orchestra”, e é descrito pelo músico lisboeta como “a banda sonora para um filme que ainda não existe, mas que talvez um dia venha a existir”. É um disco diferente daquilo que noiserv nos tem habituado, a “orquestra de sons” que tão bem lhe conhecemos deu lugar ao som de um piano tocado a muitas mãos, enquanto da sua voz vemos sair, nos temas não instrumentais, histórias em português. O artwork ganha uma posição de destaque onde a sua total transparência, de cor mas não de contéudo, reforça a ausência do filme ainda por fazer com a história de qualquer um de nós. Oito canções perfazem 00:00:00:00, um dos discos mais conceptuais do músico lisboeta. “VINTE E TRÊS” é o segundo single, depois de em finais do mês passado ter sido apresentada a música “SETE”. O lançamento está marcado para o dia 28 de Outubro e o concerto de apresentação será a 10 de Novembro no Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa. Com quase 12 anos de existência, noiserv, “homem-orquestra”, ou banda de um homem só, tem vindo a afirmar-se como um dos mais estimulantes projetos da nova geração de músicos portugueses. No currículo conta com o bem sucedido disco de estreia “One Hundred Miles from Thoughtlessness” [2008], o EP “A Day in the Day of the Days” [2010], e “Almost Visible Orchestra” [2013], disco distinguido como melhor do ano pela Sociedade Portuguesa de Autores e recentemente reeditado internacionalmente pela editora francesa naive, casa mãe de projetos como Yann Tiersen, M83, entre muitos outros.

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29.novembro.2017 [4ª feira] > 21h30 | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
Amarelo Silvestre > “Canas 44”, com direção de Victor Hugo Pontes

amarelo silvestre_Canas44©José Caldeira

Neste espetáculo há uma personagem que chega e há uma personagem que parte. Uma quer construir uma vida nova e a outra quer partir para ganhar mundo. Em comum, o mesmo lugar, Canas de Senhorim, que nunca é mencionado e, por isso, Canas é todos os lugares. Têm ainda em comum o número quarenta e quatro – anos de idade. A partir daqui constrói-se um universo autoficcional que especula sobre pessoas, lugares, ruas, que já não existem ou que estão em vias de desaparecimento, numa constante enumeração dessa memorabillia, como um movimento contínuo entre utopia e catástrofe, como se ressuscitar os mortos fosse uma forma de inscrevê-los na História.

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5.dezembro.2017 [3ª feira] > 14h30 | Covilhã >Auditório Teatro das Beiras
Graça Ochoa e Alberto Carvalhal > “Viúva Papagaio”

viuva papagaio_pormenor

Esta é a história de uma viúva que parte em busca de uma herança e de um papagaio que vive sem liberdade. Tudo parecia um mar de rosas, mas a viagem complica-se… entre aventuras e atribulações a Srª Cage acaba por “bater no fundo”… Não fosse o amor dedicado ao papagaio James e a história teria um trágico desfecho!

Um espetáculo criado a partir do conto infantil “A Viúva e o Papagaio” de Virginia Woolf, considerado por muitos um hino de amor aos animais e atual­mente recomendado como leitura autónoma para o 5º ano de escolaridade pelo Plano Nacional de Leitura.

Nesta peça, a viúva é também papagaio e o papagaio é também viúva. A riqueza de um é a riqueza do outro, a liberdade de um é a liberdade do outro.

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7.dezembro.2017 [5ª feira] > 21h30 | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
Companhia Paulo Ribeiro > “Um solo para a sociedade”

co.paulo ribeiro_um solo_antonio cabrita e sao castro

Um solo para a sociedade é a primeira peça de António Cabrita e São Castro enquanto diretores artísticos da Companhia Paulo Ribeiro. Nesta peça, criada a partir do monólogo “O Contrabaixo”, de Patrick Süskind, os dois coreógrafos procuram aprofundar a reflexão sobre como as pessoas ocupam um território comum, abordando problemáticas que norteiam a condição humana, tais como o amor, a liberdade, a escolha, a identidade; ampliando o gesto como movimento elaborado e exteriorizado dessa reflexão. O confronto do eu e dos outros, do barulho e do silêncio, em som visível no corpo. Um solo diante da sociedade, o público. Um público que observa o indivíduo, um intérprete que observa a sociedade.

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16.janeiro.2018 [3ª feira] > 14h30 | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
Pé de Pano > “Danças a Nascer”

mariabelocosta_danças a nascer

Danças a Nascer é um espetáculo que liga a Dança e a força sonhadora das imagens sugeridas pelas palavras. Constrói-se a partir das perguntas: como podem as Danças Nascer? ou, de onde partimos para criar uma coreografia? Tendo uma componente visual muito forte, explora o Desenho em tempo real e a Dança que, em conjunto ou de forma alternada, vão modificando o espaço que tão depressa é concreto como logo a seguir se torna abstrato e poético. Brinca-se com sensações e emoções, a suavidade, a curiosidade, a alegria, a velocidade, a fúria, o ser pequeno e muito comprido, rastejar ou voar. Brinca-se com histórias tão antigas como o nascimento e a evolução do tempo, do homem e da linguagem. Num movimento cúmplice, aquele que parece ser o espaço exclusivo da performer transforma-se: os meninos são solicitados para a cena como num jogo, para experimentarem, apelando à sua memória, cores, sons, papel, ao seu próprio movimento e corpo. O Espetáculo torna-se Oficina, por momentos, mas volta a si. A performer recupera o seu lugar. E tudo poderia entretanto recomeçar…

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18.janeiro.2018 [5ª feira] > 21h30 | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
Hotel Europa > “Portugal Não É Um País Pequeno”

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Portugal Não É Um País Pequeno reflete sobre a ditadura e a presença portuguesa em África, em particular a vida dos antigos colonos portugueses através dos seus testemunhos reais. O texto deste espetáculo foi criado através de um processo de verbatim, que significa copiado palavra por palavra, o que se traduziu na escrita de um texto de teatro que utiliza fielmente as palavras das pessoas entrevistadas sobre a sua vida em África no Período Colonial Português. A metodologia seguida combinou a recolha de testemunhos dessas pessoas e uma detalhada pesquisa de historiográfica, criando um texto que retrata a complexidade da história recente em Portugal, no caso do fim do colonialismo português. Com este trabalho quero investigar histórias reais que se tornaram memórias e que com o tempo foram herdadas; estou interessado em situações onde as pessoas reais contribuem para contestar e reconstruir identidades culturais; estou interessado na forma como o teatro pode contribuir para a reescrita da história, dando voz a um grupo silenciado, trabalhando assim na transmissão da memória entre gerações.

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19.janeiro.2018 [6ª feira] > 21h30 | Castelo Branco > Cine-Teatro Avenida
Rui Horta > “Vespa”

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Uma peça sobre uma cabeça a explodir, sobre o que nem sequer falhámos porque nos coibimos de cumprir. Na dupla condição de voyeur, a do outro e a de si próprio, o público compõe o tétris do personagem em cena, desafiando a sua própria conceção do registo público e privado.  Este solo é uma possibilidade, uma fractal, marca fugaz.

Rui Horta é um veterano selvagem. Só essa condição lhe permite hoje a ousadia e a obstinação de voltar ao palco após 30 anos de ausência.
Ou é ou não é. Então, que seja. Que haja luz, fogo, dor e, sobretudo, corpo. Que haja um raio que ilumina e destrói. Mas que haja. Que seja.

Uma vespa dentro da cabeça, um zumbido a roer o pensamento.

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27.janeiro.2018 [sábado] > 21h30 | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
João Cardoso e Victor Gomes > “Adapted to Y&Y”

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Um par de corpos, dois criminosos, dois amantes, dois pares de mãos. Par que procura apaziguar-se a si e ao conjunto, par que procura uma identidade comum, resultado de uma adaptação de Bonnie&Clyde, dois criminosos que marcaram a história do crime Americano, tornando-se personagens mediáticas. Num palco com um toque “hollywoodesco” dois bailarinos lançam-se descobrindo um bailado, uma performance pictórica que tenta visualizar uma história já antes contada.

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31.janeiro.2018 [4ª feira] > 21h30 | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras              2.fevereiro.2018 [6ª feira] > 21h30 | Castelo Branco > Cine-Teatro Avenida
Mafalda Saloio > “Brisa ou Tufão”

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Brisa ou Tufão é um espetáculo de teatro sobre a força e a leveza do ar que nos rodeia. Sobre a importância de conviver com o invisível que sopra. De rasgar janelas e celebrar o ar! Dependendo da sorte geográfica, emocional e humana, este ar pode fazer-nos brisa ou tufão.
Uma mulher viaja por entre terras, mede o ar e areja lugares. Para prevenir catástrofes, ensinar-nos a conviver com este invisível suave e rebelde da vida. O que fazemos quando temos taquicardia, quando estamos cabisbaixos, quando o lufa-lufa do quotidiano nos tira o ar?
Brisa ou Tufão é um espetáculo que nos fala de como resistir celebrando a vida.
Uma “técnica de leveza e bem-estar” que traz dentro do seu Kit soluções caseiras para tornar tudo mais simples.
Um espetáculo sobre a beleza das coisas simples.

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Y PÚBLICOS -EIXO DE PROGRAMAÇÃO ARTÍSTICO-PEDAGÓGICA

Y PÚBLICOS integra uma programação artístico-pedagógica conectada com os espetáculos do Festival Y#13 que valoriza o envolvimento e participação de diferentes segmentos de público (crianças, jovens e adultos), no sentido da sensibilização e formação para e com as linguagens mais emergentes das artes performativas. 

COMUNIDADE DE ESPETADORES, mediação de Sílvia Pinto Ferreira                           Um espetáculo reúne uma comunidade efémera. Lado a lado, corpo a corpo, durante um aqui e agora circunstancial, o público separa-se com aplausos. MAS e se o público ficar e partilhar entre si os seus diferentes encontros com o espetáculo? Quantos encontros mais surgirão? A Comunidade de Espetadores consiste em encontros entre espetadores para partilha de sentidos e perspetivas sobre quatro espetáculos do Festival Y#13.

29.11.2017 > Canas 44 / Amarelo Silvestre
07.12.2017 > Um solo para a sociedade /Companhia Paulo Ribeiro
18.01.2018 > Portugal não é um país pequeno / Hotel Europa
31.01.2018 > Brisa ou Tufão / Mafalda Saloio
Local: Café-concerto do Teatro das Beiras | Duração: 40 min. (após espetáculo) – sujeito a inscrição

 

CURSO Uma pequena história da performance, dirigido por Magda Henriques  

Ação de formação orientada por Magda Henriques na qual se estabelece uma aproximação à história da Performance, identificando alguns dos traços definidores deste género artístico e explorando, sobretudo, alguns dos seus momentos particularmente intensos.

20 e 21.01.2018 > 10h às 13h e das 15h às 18h
Público-alvo: público em geral >16 anos e estudantes universitários (sujeito a inscrição)

 

OFICINAS DRAMATÚRGICAS Canas 44, dirigidas por Fernando Giestas/Amarelo Silvestre

27 e 28.11.2017 > Café-concerto do Teatro das Beiras

Público-alvo: Turma do Ensino Secundário e Grupo de Seniores

 

ENSAIO ABERTO seguido de Conversa com Equipa Artística

Um solo para a sociedade /Companhia Paulo Ribeiro

07.12.2017 | Auditório Teatro das Beiras

Público-alvo: Estudantes do ensino secundário e ensino artístico

 

OFICINAS DE MOVIMENTO Danças a Nascer, dirigidas por Maria Belo Costa

17, 18 e 19.01.2018

Público-alvo: Turmas do Pré-escolar

Local: Escolas do Ensino Pré-escolar

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Festival Y#12 – festival de artes performativas

Cartaz Y12Iniciamos a 12ª edição do Festival Y com um olhar sobre o impacto que o seu aparecimento teve sobre a região. O país mudou, as incertezas são muitas, mas continuamos firmes a acreditar que é o conhecimento, através das ferramentas que as várias culturas nos dão, que serão o leitmotiv para a transformação do país. A humanidade tem evoluído através dos conteúdos que milhares de criadores das mais diversas disciplinas artísticas têm disponibilizado e que hoje reconhecidamente são aplicadas a áreas diferenciadas. Por isso e apesar de todas as dificuldades que o tecido cultural sofre, acreditamos que o caminho percorrido através da transversalidade dos conteúdos que mapeamos ao longo dos anos, nas mais diversas disciplinas e cruzamentos, contribuíram para que a cidade e a região ficassem mais perto dos centros de criação do país e da Europa. Nessa perspetiva o programa traduz as nossas inquietações, resultantes das fragilidades dos tempos que percorremos. Mas é a urgência da vivência coletiva destes tempos que queremos partilhar com o público.

Rui Sena, diretor artístico

Programa Festival Y#12 – festival de artes performativas:

12.novembro.2015 [5ª feira] > 21h30 | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
David Marques > “KIN”

david marques_kin

Ao filmar o documentário L’Inde Fantôme (1968), Louis Malle constatou que, intrigada pela presença estrangeira da equipa de filmagem, a população indígena, que ele filmava, olhava diretamente para a câmara. Malle partia do desejo de decifrar as formas de parentesco primitivo (kinship), para descobrir a necessidade de refletir sobre o seu próprio cinema. Neste solo, a dança funcionará como mais do que uma ferramenta antropológica clássica para entender o “nativo”. Aqui é a linguagem do “estrangeiro” que o torna “nativo”. Kin investiga o ato de documentar o outro, e a dança dos estrangeiros e dos nativos que rodeiam a câmara. O solo será uma experiência mediada pelos desejos cruzados que um corpo, e não uma câmara, pode fazer aparecer como um só. Kin nega o objeto fechado em frente da câmara, e em vez disso dança o que insiste em ser reaberto.

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14.novembro.2015 [sábado] > 15h30 | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
Teatro de Ferro > “O Soldadinho”

teatro de ferro_o soldadinho

O espetáculo consiste na adaptação para Teatro de Marionetas, Objetos e Formas Animadas do conto de Hans Christian Andersen, transformando assim os soldadinhos de chumbo e outros brinquedos do passado nos atuais heróis do futuro. É uma tentativa de atualização da forma, sem danificar a essência do conto, do amor impossível entre o soldado e a bailarina, desta espécie de Romeu e Julieta em brinquedo.

Os contos de fadas carregam consigo uma enorme diversidade de signos inconscientes; não esquecendo este importante aspeto, não será sob este prisma que abordaremos o conto, mas sob o ponto de vista da teatralidade das situações, das emoções, das personagens.

Retomando a estrutura do conto de Hans Christian Andersen, O SOLDADINHO fala-nos de um amor a sério entre um soldado e uma bailarina de brincar. A manipulação de objetos, as pequenas máquinas de cena e outras engenhocas articulam-se no dispositivo cénico – pequena máquina de contar histórias – em que os atores são simultaneamente maquinistas e passageiros.

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14.novembro.2015 [sábado] > 22h | Covilhã > Café-teatro Teatro das Beiras
Django Tributo sexteto de hot jazz

django tributo

Criado na Associação Cultural do Imaginário para celebrar o centenário do nascimento de Django Reinhardt no Festival Jazz na Cidade, em Évora, 2010, o Django Tributo – Sexteto de Hot Jazz pratica de forma arrojada, aberta e imaginativa um repertório do que hoje se chama jazz manouche ou gypsy jazz, com recurso à improvisação e virtuosismo instrumental característico desta expressão musical. Uma voz feminina, à semelhança das que o próprio Django Reinhardt tantas vezes acompanhou, interpreta grande parte do repertório, em particular, versões no original em francês de canções compostas sobre algumas das suas mais célebres composições, como Nuages e Douce Ambiance.

Como acontecia nas diferentes formações do Quintette du Hot Club de France, este repertório inclui temas oriundos do jazz que na época se tocava nos Estados Unidos, originais de Django Reinhardt e muitas chansonettes que nos anos pré e pós II Guerra Mundial saltaram dos cabarets da noite parisiense para as ondas hertzianas da rádio e para as 78 rotações do vynil. Hoje alargado a temas tradicionais do leste europeu e Balcãs, este repertório é pretexto para a expressividade típica de um jazz acústico muito centrado nas cordas, um jazz sans tambours ni trompete, como Stéphane Grapelli gostava de lhe chamar.

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17.novembro.2015 [3ª feira] > 21h30 | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
Teatro do Calafrio > “Empresta-me o revólver até amanhã”

calafrio_empresta-me um revolver ate amanha

“Empresta-me um revólver até amanhã” parte da uma leitura peculiar de duas pequenas peças de Anton Tchekhov: “O Canto” do Cisne e “Trágico à força”. Nesta revisitação, o ponto Nikita ocupa o centro da trama. Ele vive no teatro, vive do teatro. O teatro é ele. Conhece muitas peças de cor e é o guardião da memória do teatro. É no seu teatro, nos bastidores, que se encontra com o actor Vassili Vassilitch (que se deixou dormir após a actuação da noite) e se confronta com as recordações e angústias de um velho actor de passado glorioso. Na segunda parte, o veraneante Ivan Ivanovich, sobrecarregado de tarefas, procura um amigo para desabafar sobre sua deplorável condição de vítima. Ivanovitch é escravo de um trabalho extenuante porque todos lhe pedem que transporte os mais estranhos objectos. Ivan Ivanovitch fala da sua amarga condição. Nikita, o ponto, representa o papel de Muraskhin, num crescendo de tragédia. Talvez o ponto seja ainda mais trágico do que a personagem Ivanovitch. Talvez este seja uma personagem criada por Nikita, o ponto. Talvez o ponto seja um verdadeiro trágico. Talvez Nikita tenha sempre desejado ser um actor. Trágico.

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19.novembro.2015 [5ª feira] > 21h30 | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
Tania Arias > “danza más cabra (The Horn of Plenty Dress Fall/Winter 2015)”

tania arias_danza mas cabra

danza más cabra  surge a partir de uns cornos e em estreita relação com o mundo da moda, especialmente com a figura de Alexander McQueen. O anti-discurso como motor para seguir em movimento. O acessório e o que é acessório tomam o protagonismo. As diferentes linguagens do movimento são tratadas como um acessório ou um complemento adicional. Em cada apresentação Tania Arias convida um colaborador próximo para que remate consigo este traje que é a obra.

No Citemor 2015 The Horn of Plenty Dress – Summer 2015 fez a primeira entrega de danza más cabra, com Sindo Puche.

No Festival Y#12, na Covilhã, Mauricio González e Santiago Rapallo acompanham esta nova entrega, The Horn of Plenty Dress – Fall/Winter 2015.

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24.novembro.2015 [3ª feira] > 15h | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
Casa da Esquina > “O meu país é o que o mar não quer”

casa da esquina_o meu pais

Este espetáculo de teatro documental nasceu da estadia de Ricardo Correia em Londres, em 2013, enquanto bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian e é construído a partir do seu relato pessoal incidindo nos testemunhos de emigrantes portugueses qualificados recolhidos através de entrevistas, cartas, fotos e e-mails. Estes testemunhos são de pessoas que conheceu em Londres e que tiveram de sair de Portugal devido às medidas de austeridade da TROIKA e do Governo Português, ou que deixaram o País por vontade própria mas que agora não conseguem regressar por falta de perspectivas de futuro no país de origem.

É a sua estória, a história de uma geração dividida entre partir e ficar.

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24.novembro.2015 [3ª feira] > 22h | Covilhã > Café-teatro Teatro das Beiras
TGB Trio, com Sérgio Carolino, Mário Delgado e Alexandre Frazão

tgb trio

Os TGB apresentam Evil Things, o segundo álbum editado pela Clean Feed. A troupe da tuba, guitarra e bateria confirma-se como uma proposta a ter seriamente em conta no espectro geral da música criativa, ao lado dos News For Lulu de John Zorn ou do Tiny Bell Trio.

O formato instrumental é invulgar, mas ainda mais o que os elementos constituintes (Sérgio Carolino, Mário Delgado e Alexandre Frazão) dos TGB fazem com ele. Quando estamos na presença de uma tuba e não existe um contrabaixo à vista, presumimos que as suas funções são substitutivas deste. Errado: executante de renome internacional com actividade partilhada entre a música erudita (clássica e contemporânea) e o jazz, Carolino utiliza a sua ferramenta de trabalho tanto ritmicamente como para construir melodias enquanto solista. Este vai e vem nos parâmetros musicais do trio redifine também os papéis dos seus companheiros. A guitarra de Delgado ora estabelece malhas de suporte, ora coloca-se à frente, de algum modo evidenciando a formação deste veterano músico da cena nacional com John Abercrombie e Bill Frisell e o seu gosto por guitarristas que fizeram largo uso da distorção e do “feedback” como Jimi Hendrix e Jimmy Page (Led Zeppelin). Na bateria, Frazão é muito mais do que um marcador de tempos e métricas, ou não tivesse estudado com o mestre Max Roach, o mais melódico dos percussionistas da história do jazz. A nível de abordagens e de escolha de repertório este projecto revela-se único: com composições dos próprios ou pedidas emprestadas ao “songbook” jazzístico, à música popular portuguesa e ao rock, erigiu uma música muito actual e multifacetada, com largo espaço para a improvisação e um notável equilíbrio entre os préstimos individuais e o chamado “efeito de grupo”.

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26.novembro.2015 [5ª feira] > 21h30 | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
Sofia Dinger > “A Grande Ilusão”

sofia dinger_a grande ilusao

(Uma atriz apropria-se das palavras de um realizador e propõe uma peça de teatro sobre a arte e a vida. Ensaia os seus oitenta anos.)

“Ao escolher um Mestre, o melhor é escolher um que seja grande. Isto não quer dizer que estamos a comparar-nos. Significa, simplesmente, que estamos a tentar aprender alguma coisa com ele”, disse Jean Renoir. E eu segui o conselho, escolhendo-o como um dos meus Mestres.  Encontro-me com ele na sua desconfiança no que toca a planos demasiado definidos, partilho a sua incapacidade de seguir uma linha. “Amo o meu caos”. Percebo “a personagem secreta, misteriosa, que age ao arrepio das nossas vontades”, que engole a partir de dentro e de que ele tanto fala. E procuro a exaltação do estado de vida, a volúpia, a violência de um corpo em desejo deitado nas margens pinceladas dum rio. Confio que “há um momento em que a criação nos escapa.” E que é nesse momento que estou. Entretanto, recorro ao Mon petit théâtre e construo na companhia do Mestre que escolhi, apropriando-me da sua receita de felicidade: “amar muito a realidade”. “Memórias inventadas são as que melhor vivem em nós” porque “tu és o outro e… nada mais.” E não tenho a certeza se o que acabei de escrever é mesmo verdade ou, talvez, uma “grande ilusão”.

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Híbridos – reflexão e debate

Considerando o Festival Y como um acontecimento privilegiado de congregação de pessoas, ideias e diferentes olhares sobre o Mundo, Híbridos surge como um novo espaço de programação direcionado para a reflexão e debate sobre dimensões temáticas consideradas prioritárias a nível global a partir de diferentes áreas do conhecimento e das artes.
No contexto da Década Internacional dos Afrodescendentes (2015-2024) proclamada pela ONU, esta primeira realização de Híbridos foca-se no universo da afrodescendência em Portugal e propõe um conjunto de atividades heterogéneo que pretende sensibilizar para as problemáticas sociopolíticas que este tema abrange, bem como propiciar uma partilha de ideias ampla e documentada, motivada por diferentes perspetivas cinematográficas, literárias e musicais.

Cinema
2.dezembro > 21h30 > Li Ké Terra de Filipa Reis, João Miller Guerra e Nuno Baptista
9.dezembro > 21h30 > Fato completo ou Á procura de Alberto de Inês de Medeiros
Local: UBI > Cinubiteca

Literatura
Comunidade de Leitores *
Neste espaço de liberdade, os livros serão a estrela mais alta. Mas não estarão sozinhos. Os livros transportam conceções do mundo e da vida passíveis de ajudar na construção de uma realidade mais justa. Estes serões à volta das palavras tenderão a ser reveladores das diferenças que nos unem, basta que cada um/a traga consigo a vontade e o sonho.

21.novembro > 21h > autores moçambicanos
19.dezembro > 21h > autores angolanos
16.janeiro > 21h > autores caboverdeanos
23.janeiro > 21h > Conversa/Debate com convidados
Local: Teatro das Beiras [café-teatro]

*participação sujeita a inscrição. Interessados/as deverão entrar em contacto por email [qp@quartaparede.pt] ou telefone [969 785 312]

Música
15.janeiro > Encontros com Beatoven Paranoise

A influência da música hip-hop como foco de intervenção social e de contaminação de culturas em debate entre o músico e produtor musical Beatoven Paranoise e dois grupos de adolescentes.
Locais: Escolas Secundárias