Festival Y#12 – festival de artes performativas

Cartaz Y12Iniciamos a 12ª edição do Festival Y com um olhar sobre o impacto que o seu aparecimento teve sobre a região. O país mudou, as incertezas são muitas, mas continuamos firmes a acreditar que é o conhecimento, através das ferramentas que as várias culturas nos dão, que serão o leitmotiv para a transformação do país. A humanidade tem evoluído através dos conteúdos que milhares de criadores das mais diversas disciplinas artísticas têm disponibilizado e que hoje reconhecidamente são aplicadas a áreas diferenciadas. Por isso e apesar de todas as dificuldades que o tecido cultural sofre, acreditamos que o caminho percorrido através da transversalidade dos conteúdos que mapeamos ao longo dos anos, nas mais diversas disciplinas e cruzamentos, contribuíram para que a cidade e a região ficassem mais perto dos centros de criação do país e da Europa. Nessa perspetiva o programa traduz as nossas inquietações, resultantes das fragilidades dos tempos que percorremos. Mas é a urgência da vivência coletiva destes tempos que queremos partilhar com o público.

Rui Sena, diretor artístico

Programa Festival Y#12 – festival de artes performativas:

12.novembro.2015 [5ª feira] > 21h30 | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
David Marques > “KIN”

david marques_kin

Ao filmar o documentário L’Inde Fantôme (1968), Louis Malle constatou que, intrigada pela presença estrangeira da equipa de filmagem, a população indígena, que ele filmava, olhava diretamente para a câmara. Malle partia do desejo de decifrar as formas de parentesco primitivo (kinship), para descobrir a necessidade de refletir sobre o seu próprio cinema. Neste solo, a dança funcionará como mais do que uma ferramenta antropológica clássica para entender o “nativo”. Aqui é a linguagem do “estrangeiro” que o torna “nativo”. Kin investiga o ato de documentar o outro, e a dança dos estrangeiros e dos nativos que rodeiam a câmara. O solo será uma experiência mediada pelos desejos cruzados que um corpo, e não uma câmara, pode fazer aparecer como um só. Kin nega o objeto fechado em frente da câmara, e em vez disso dança o que insiste em ser reaberto.

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14.novembro.2015 [sábado] > 15h30 | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
Teatro de Ferro > “O Soldadinho”

teatro de ferro_o soldadinho

O espetáculo consiste na adaptação para Teatro de Marionetas, Objetos e Formas Animadas do conto de Hans Christian Andersen, transformando assim os soldadinhos de chumbo e outros brinquedos do passado nos atuais heróis do futuro. É uma tentativa de atualização da forma, sem danificar a essência do conto, do amor impossível entre o soldado e a bailarina, desta espécie de Romeu e Julieta em brinquedo.

Os contos de fadas carregam consigo uma enorme diversidade de signos inconscientes; não esquecendo este importante aspeto, não será sob este prisma que abordaremos o conto, mas sob o ponto de vista da teatralidade das situações, das emoções, das personagens.

Retomando a estrutura do conto de Hans Christian Andersen, O SOLDADINHO fala-nos de um amor a sério entre um soldado e uma bailarina de brincar. A manipulação de objetos, as pequenas máquinas de cena e outras engenhocas articulam-se no dispositivo cénico – pequena máquina de contar histórias – em que os atores são simultaneamente maquinistas e passageiros.

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14.novembro.2015 [sábado] > 22h | Covilhã > Café-teatro Teatro das Beiras
Django Tributo sexteto de hot jazz

django tributo

Criado na Associação Cultural do Imaginário para celebrar o centenário do nascimento de Django Reinhardt no Festival Jazz na Cidade, em Évora, 2010, o Django Tributo – Sexteto de Hot Jazz pratica de forma arrojada, aberta e imaginativa um repertório do que hoje se chama jazz manouche ou gypsy jazz, com recurso à improvisação e virtuosismo instrumental característico desta expressão musical. Uma voz feminina, à semelhança das que o próprio Django Reinhardt tantas vezes acompanhou, interpreta grande parte do repertório, em particular, versões no original em francês de canções compostas sobre algumas das suas mais célebres composições, como Nuages e Douce Ambiance.

Como acontecia nas diferentes formações do Quintette du Hot Club de France, este repertório inclui temas oriundos do jazz que na época se tocava nos Estados Unidos, originais de Django Reinhardt e muitas chansonettes que nos anos pré e pós II Guerra Mundial saltaram dos cabarets da noite parisiense para as ondas hertzianas da rádio e para as 78 rotações do vynil. Hoje alargado a temas tradicionais do leste europeu e Balcãs, este repertório é pretexto para a expressividade típica de um jazz acústico muito centrado nas cordas, um jazz sans tambours ni trompete, como Stéphane Grapelli gostava de lhe chamar.

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17.novembro.2015 [3ª feira] > 21h30 | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
Teatro do Calafrio > “Empresta-me o revólver até amanhã”

calafrio_empresta-me um revolver ate amanha

“Empresta-me um revólver até amanhã” parte da uma leitura peculiar de duas pequenas peças de Anton Tchekhov: “O Canto” do Cisne e “Trágico à força”. Nesta revisitação, o ponto Nikita ocupa o centro da trama. Ele vive no teatro, vive do teatro. O teatro é ele. Conhece muitas peças de cor e é o guardião da memória do teatro. É no seu teatro, nos bastidores, que se encontra com o actor Vassili Vassilitch (que se deixou dormir após a actuação da noite) e se confronta com as recordações e angústias de um velho actor de passado glorioso. Na segunda parte, o veraneante Ivan Ivanovich, sobrecarregado de tarefas, procura um amigo para desabafar sobre sua deplorável condição de vítima. Ivanovitch é escravo de um trabalho extenuante porque todos lhe pedem que transporte os mais estranhos objectos. Ivan Ivanovitch fala da sua amarga condição. Nikita, o ponto, representa o papel de Muraskhin, num crescendo de tragédia. Talvez o ponto seja ainda mais trágico do que a personagem Ivanovitch. Talvez este seja uma personagem criada por Nikita, o ponto. Talvez o ponto seja um verdadeiro trágico. Talvez Nikita tenha sempre desejado ser um actor. Trágico.

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19.novembro.2015 [5ª feira] > 21h30 | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
Tania Arias > “danza más cabra (The Horn of Plenty Dress Fall/Winter 2015)”

tania arias_danza mas cabra

danza más cabra  surge a partir de uns cornos e em estreita relação com o mundo da moda, especialmente com a figura de Alexander McQueen. O anti-discurso como motor para seguir em movimento. O acessório e o que é acessório tomam o protagonismo. As diferentes linguagens do movimento são tratadas como um acessório ou um complemento adicional. Em cada apresentação Tania Arias convida um colaborador próximo para que remate consigo este traje que é a obra.

No Citemor 2015 The Horn of Plenty Dress – Summer 2015 fez a primeira entrega de danza más cabra, com Sindo Puche.

No Festival Y#12, na Covilhã, Mauricio González e Santiago Rapallo acompanham esta nova entrega, The Horn of Plenty Dress – Fall/Winter 2015.

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24.novembro.2015 [3ª feira] > 15h | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
Casa da Esquina > “O meu país é o que o mar não quer”

casa da esquina_o meu pais

Este espetáculo de teatro documental nasceu da estadia de Ricardo Correia em Londres, em 2013, enquanto bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian e é construído a partir do seu relato pessoal incidindo nos testemunhos de emigrantes portugueses qualificados recolhidos através de entrevistas, cartas, fotos e e-mails. Estes testemunhos são de pessoas que conheceu em Londres e que tiveram de sair de Portugal devido às medidas de austeridade da TROIKA e do Governo Português, ou que deixaram o País por vontade própria mas que agora não conseguem regressar por falta de perspectivas de futuro no país de origem.

É a sua estória, a história de uma geração dividida entre partir e ficar.

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24.novembro.2015 [3ª feira] > 22h | Covilhã > Café-teatro Teatro das Beiras
TGB Trio, com Sérgio Carolino, Mário Delgado e Alexandre Frazão

tgb trio

Os TGB apresentam Evil Things, o segundo álbum editado pela Clean Feed. A troupe da tuba, guitarra e bateria confirma-se como uma proposta a ter seriamente em conta no espectro geral da música criativa, ao lado dos News For Lulu de John Zorn ou do Tiny Bell Trio.

O formato instrumental é invulgar, mas ainda mais o que os elementos constituintes (Sérgio Carolino, Mário Delgado e Alexandre Frazão) dos TGB fazem com ele. Quando estamos na presença de uma tuba e não existe um contrabaixo à vista, presumimos que as suas funções são substitutivas deste. Errado: executante de renome internacional com actividade partilhada entre a música erudita (clássica e contemporânea) e o jazz, Carolino utiliza a sua ferramenta de trabalho tanto ritmicamente como para construir melodias enquanto solista. Este vai e vem nos parâmetros musicais do trio redifine também os papéis dos seus companheiros. A guitarra de Delgado ora estabelece malhas de suporte, ora coloca-se à frente, de algum modo evidenciando a formação deste veterano músico da cena nacional com John Abercrombie e Bill Frisell e o seu gosto por guitarristas que fizeram largo uso da distorção e do “feedback” como Jimi Hendrix e Jimmy Page (Led Zeppelin). Na bateria, Frazão é muito mais do que um marcador de tempos e métricas, ou não tivesse estudado com o mestre Max Roach, o mais melódico dos percussionistas da história do jazz. A nível de abordagens e de escolha de repertório este projecto revela-se único: com composições dos próprios ou pedidas emprestadas ao “songbook” jazzístico, à música popular portuguesa e ao rock, erigiu uma música muito actual e multifacetada, com largo espaço para a improvisação e um notável equilíbrio entre os préstimos individuais e o chamado “efeito de grupo”.

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26.novembro.2015 [5ª feira] > 21h30 | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
Sofia Dinger > “A Grande Ilusão”

sofia dinger_a grande ilusao

(Uma atriz apropria-se das palavras de um realizador e propõe uma peça de teatro sobre a arte e a vida. Ensaia os seus oitenta anos.)

“Ao escolher um Mestre, o melhor é escolher um que seja grande. Isto não quer dizer que estamos a comparar-nos. Significa, simplesmente, que estamos a tentar aprender alguma coisa com ele”, disse Jean Renoir. E eu segui o conselho, escolhendo-o como um dos meus Mestres.  Encontro-me com ele na sua desconfiança no que toca a planos demasiado definidos, partilho a sua incapacidade de seguir uma linha. “Amo o meu caos”. Percebo “a personagem secreta, misteriosa, que age ao arrepio das nossas vontades”, que engole a partir de dentro e de que ele tanto fala. E procuro a exaltação do estado de vida, a volúpia, a violência de um corpo em desejo deitado nas margens pinceladas dum rio. Confio que “há um momento em que a criação nos escapa.” E que é nesse momento que estou. Entretanto, recorro ao Mon petit théâtre e construo na companhia do Mestre que escolhi, apropriando-me da sua receita de felicidade: “amar muito a realidade”. “Memórias inventadas são as que melhor vivem em nós” porque “tu és o outro e… nada mais.” E não tenho a certeza se o que acabei de escrever é mesmo verdade ou, talvez, uma “grande ilusão”.

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Híbridos – reflexão e debate

Considerando o Festival Y como um acontecimento privilegiado de congregação de pessoas, ideias e diferentes olhares sobre o Mundo, Híbridos surge como um novo espaço de programação direcionado para a reflexão e debate sobre dimensões temáticas consideradas prioritárias a nível global a partir de diferentes áreas do conhecimento e das artes.
No contexto da Década Internacional dos Afrodescendentes (2015-2024) proclamada pela ONU, esta primeira realização de Híbridos foca-se no universo da afrodescendência em Portugal e propõe um conjunto de atividades heterogéneo que pretende sensibilizar para as problemáticas sociopolíticas que este tema abrange, bem como propiciar uma partilha de ideias ampla e documentada, motivada por diferentes perspetivas cinematográficas, literárias e musicais.

Cinema
2.dezembro > 21h30 > Li Ké Terra de Filipa Reis, João Miller Guerra e Nuno Baptista
9.dezembro > 21h30 > Fato completo ou Á procura de Alberto de Inês de Medeiros
Local: UBI > Cinubiteca

Literatura
Comunidade de Leitores *
Neste espaço de liberdade, os livros serão a estrela mais alta. Mas não estarão sozinhos. Os livros transportam conceções do mundo e da vida passíveis de ajudar na construção de uma realidade mais justa. Estes serões à volta das palavras tenderão a ser reveladores das diferenças que nos unem, basta que cada um/a traga consigo a vontade e o sonho.

21.novembro > 21h > autores moçambicanos
19.dezembro > 21h > autores angolanos
16.janeiro > 21h > autores caboverdeanos
23.janeiro > 21h > Conversa/Debate com convidados
Local: Teatro das Beiras [café-teatro]

*participação sujeita a inscrição. Interessados/as deverão entrar em contacto por email [qp@quartaparede.pt] ou telefone [969 785 312]

Música
15.janeiro > Encontros com Beatoven Paranoise

A influência da música hip-hop como foco de intervenção social e de contaminação de culturas em debate entre o músico e produtor musical Beatoven Paranoise e dois grupos de adolescentes.
Locais: Escolas Secundárias

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